Gente estranha

Segunda-Feira. Para muitos, ou quase todos, sinónimo de apreensão, medo e tremor. Mas para mim, e pro Walcênio, o meu ex-professor de português da sétima série do ensino fundamental, a segunda-feira é o melhor dia de semana. De acordo com o educador, a razão da euforia é porque a segunda é o dia mais longe da próxima segunda.

Voltando ao assunto, eu gosto de segundas-feiras, porque consigo colocar a minha vida em dia. Agora no momento, estou trabalhando só nos fins de semana. E depois de dois dias em pé por 15 horas, eu me divirto com o primeiro dia útil da semana.

Para a Caterina não faz diferença nenhuma. Ela não respeita fim-de-semana, feriado ou dia santo. A bichinha sempre chama antes do galo cantar às 6 da matina. Gabriel que nunca dá trabalho, se juntou à sua irmã capetinha. Os dois aprontaram essas últimas noites. No domingo, Caterina acordou as 4.44 chorando de desespero e o menino às 5 e pouco, com dor de barriga e fome de sucrilhos- ao mesmo tempo. E pode? Então hoje de manhã, estava eu, um bagaço, rezando pra não ter que sair de debaixo da colcha, com a temperatura negativa lá fora.

Mas como vida de mamãe e de little sister não é fácil, fomos eu e a Feijão, de mala e cuia (Caterina sempre é a mala, então à mim, me resta ser a cuia) levar o moleque pra escola. E é claro que São Pedro de New York City não ajudou, e estava um frio do cão com “flurries”- o nome que os Americanos dão para a neve bem clarinha e fofinha, que nem molha. Aqui, de acordo com a metereologia popular existem muitos tipos de flocos e a neve tem vários nomes, definições e características distintas, mas isso também não foi sobre o que eu sentei aqui para escrever.

Depois de deixar o Gabi na escola, eu e a Caterina, fomos em direção à sexta Avenida, para pegar um outro mêtro, dessa vez pra ir em um loja de materiais de sapatos, tipo uma Toys R us ou F.A.O Schwartz dos sapateiros. Pensou que não existisse isso, né? Mas em Nova York tem de tudo, tem até gente estranha e meio esquisita. Ou melhor é o que não falta.

Quanto a loja, lá tem milhões de tipos variados de solas, saltos, elásticos, cadarços, couro, colas, e equipamentos pra a execução de um sapato. Eu comprei só um elástico, já que me dei de presente outro dia uma máquina de costurar, e estou fazendo alguns mocassinos pra Feijão. Menininha de 9 meses, filha de mãe estilista precisa MUITO de mocassinos. Ela já tem bota dourada de couro, com pelinho dentro, sapatilha de lacinho e tem até um tênis Air jordan novinho em folha herdado do irmão. E quando chegar em BH, vai ganhar uma sapatilha de oncinha que o tio Baião comprou, que ouvi dizer que é a cara da Feijão.

Mas então, no caminho para o mêtro, eu avistei, do outro lado da rua, Grace Coddington. Pra quem não é fashionista de carteirinha, Grace é nada menos do que a “creative director” da Vogue Americana desde 1988. Coisas de Nova York, ela, que deve ter um salário milionário, não se veste com nada ostentoso ou de luxo. E depois de tentar pegar um taxi por uns dois minutos, tirou o metrocard da bolsa e foi em direção ao metro. Será que Patrícia Carta também pega o metrô em Sampa?

Dentro do vagão, como sempre, encontrei umas figuras, só pra fazer o meu dia ainda mais especial. Às 9 da manhã, a garota do meu lado, tirou uma barra de chocolate Hersheys e enfiou goela abaixo o seu “desayuno”, feito com 70% de cacau. Achei um pouco estranho, mas lembrei, que eu também carrego uma barra de chocolate na bolsa para ocasiões especiais. Domingo mesmo, quando terminei o trabalho, me empanturrei com quase metade, depois que perdi o trem por causa de turistas lerdinhos bloqueando a minha descida na escada do mêtro.

Mas no meu caso, a barra é Lindt, porque eu sou chique e a minha refeição era só um lanchinho, eram sete horas da noite. Mas cada um, cada um. Quem sou eu pra julgar, olhei pro lado e deixei ela se esbanjar, feliz da conta. o piriri também não vai ser meu.

O problema é que a situação ficou mais esquisita ainda. Uma senhora de uns 60 e tantos anos, tirou uma seringa da bolsa, e um potinho de vidro com um liquido duvidoso dentro. E inseriu a parte pontuda da agulha no potinho, puxou o remédio, levantou a blusa, levantou uma das banhas da barriga e injetou a agulha em sua gordura abdominal. Eu até entendo que ela precisa inserir insulina, ou sei lá o que todos os dias. Mas precisa ser no metrô ? E na minha frente ?

E eu achando que o dia que o homeless cortou as unhas do dedão do pé no onibus foi estranho……


© Isadora Versiani Via Iphone. Fota de outro dia, de uma cena normal de NYC, umas noivas tirando um dinheiro no banco.

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em big brother, Caterina, Gabriel, little sister, New York, Subway, Uncategorized

2 Respostas para “Gente estranha

  1. Juju

    Fala sério!!!! Realmente tem de tudo aí em NYC…
    Beijos e saudades

  2. Mariana

    Amei! Deu saudades da minha doida New York.
    Que bom que as crianças estão bem 🙂
    Bjcas em vcs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s