Crônica de uma segunda-feira em Manhattan

O transporte público é na minha opinião, uma das melhores e piores coisas de Nova York. Quando funciona, é uma beleza. Mas quando dá “probrema”, é complicado, pra não usar outra palavra, já que o blog é um lugar de família.

E é também, o palco, para todos os doidos, malucos, milionários, famosos, empresários, desempregados, sem-terra e afins dessa Megalópole de 8,008,278 habitantes * (Dado do último Censo de 2009- está faltando um bocado de turistas que enchem ainda mais os metrôs, quando exploram a grande maçã diariamente).

No metrô, a caminho de casa, já esbarrei em ator famoso. Bloomberg, prefeito da cidade e até no ano passado, o habitante mais rico de Nova York, pega o velho trenzinho quando quer sair bonito no jornal. Em dias frios e chuvosos, os homeless, usam o bom metrô como moradia e também para passar o tempo, já que são legalmente proibidos de deitar na rua quando o termômetro acusa temperaturas glaciais.

E sábado passado, quando a caminho do jogo de futebol do irmão, Feijão deu de cara com um cachorrinho no metrô. Mas isso por si não é novidade. O “subway” é o método de locomoção de bebês e papagaios aqui nessa cidade. O incomum foi o método de transporte dentro do método de transporte. O canino estava sendo carregado pela sua dona num bebê canguru, bem parecido com o da Feijão.

Mas nessa cidade de loucos, e para loucos, é tudo normal e ninguém olha. Sempre achei que o número de doidos de Nova York tinha que ser maior do que de qualquer outro lugar do mundo. Nunca vi tanta gente falando sozinha, gritando, brigando e “aprontando barraco” como aqui.

Mas depois de muito coçar a cuca, cheguei a conclusão que não é bem assim. Nova York deve ter o mesmo número de loucos do que Brasília, ou Araguari, por exemplo. A diferença é que aqui você dá de cara com todo mundo, não fica ninguém escondido em casa e  todos dividem os assentos e barras na viagem diária do metrô matinal.

Hoje na volta de deixar o Gabriel na escola, o vagão estava tão lotado que seria até favorável se um camarada, assim como na China, enfiasse a galera pra dentro da lata de sardinha. Quem sabe se todos os viajantes, fossem espremidos num cantinho, eu teria mais espaço para respirar? Ser baixinha não ajuda na hora do “rush”!

Em meio dos meus companheiros banhistas do piscinão de Ramos (codinome para o metrô número 2 em direção a Wall Street às 8 e meia da manhã), eu e a Feijão estávamos bem claustrofobicamente espremidas e sem onde segurar, a cada brusca freiada, treinando apenas o controle de pernas ( depois de tanta prática a concorrência deve estar morrendo de medo lá no Havaí e Austrália, de que eu resolva virar surfista. )

Depois de muitos empurrões, uma moça percebeu que tinha um bebê no meio dos “suits” ( uma gíria para os homens de negoócios,que se vestem de terno todos os dias) e falou: “-Oh, there is a baby! In the rush hour”. Pois é tia, o “baby” tem que levar o big brother pra aula todos os dias, e infelizmente, tem que ser na hora da correria, e infelizmente (nessa situação) o baby mora em Wall Street. E a moça ainda acrescentou:  “-When I go out West you dont see people. Ever. It’s like where is everybody?! ”

Pois é, hoje de manhã parecia que estavam os 8,008,278 habitantes dentro do metrô. Quer dizer, 8,008,279 , já que a feijão não tinha sido acrescentada à muvuca no Censo passado.


© Isadora Versiani Via Iphone

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6 Comentários

Arquivado em 7 meses, big brother, little sister, New York, Subway

6 Respostas para “Crônica de uma segunda-feira em Manhattan

  1. Juju

    Isa!
    Saudades…
    Adoro suas histórias!!!
    Caterina e Gabriel estão cada dia mais lindos… Parabéns!
    beijocas

  2. Vai se preparando, vc sabe, no inverno as pessoas/os malucos, triplicam de tamanho e principalmente de diâmetro.
    Eu me lembro de qdo eu levava o Gabriel.
    B0a sorte!
    Os textos estão ótimos.
    Keep writing!
    Bjo.

  3. Cheguei por aqui por conta do teu pai coruja, que conheço do PicturaPixel, do blog da Josefina, do uma foto e deste mundo mundial.
    Não é por nada não, mas você Isa está saindo melhor do que a encomenda. FOtografa que é uma maravilha e escreve muitíssimo bem. Adorei ler teus relatos de Manhattan.
    E teus filhotes continuam cada dia mais lindos.
    Mas já que você falou de bolinhos, quer dizer, cupcakes no niver de 7 meses da tua feijãozinha, eu vou te passar um link em que meu alter-ego Regina Paz publicou em seu blog reginapaz.wordpress.com os bolinhos de sua caçula, quer dizer, minha caçula Carmen.
    Aí vai. Divirta-se
    http://reginapaz.wordpress.com/2010/06/29/cupcakes/

  4. Pingback: Os números de 2010 | Feijaozinha's Blog

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