Vou chamar o Antônio!

Aviso aos navigantes: -Chamem o Antônio! Fiquei gripada.

Para quem não conhece, o Antônio é  motorista de ambulância no Distrito Federal. Talvez do Sarah Kubitschek, ou do Hospital de Base de Brasília. Para falar a verdade, eu nunca o conheci em pessoa. Apenas ouvi o meu pai, angustiado e exaltado,  falar com ele no telefone várias vezes quando eu e a Naná transformávamos um singelo joelho lascado em uma ruptura total dos ligamentos da articulação fêmoro-patelar.

E assim, no momento em que o telefone encostava de volta ao gancho, como num passe de mágica, o Merthiolate e o band-aid davam para o gasto. E é por isso que, mesmo depois de muitos joelhos e cotovelos lascados, pontos na testa, lábio e no pé, que passei toda a minha infância e maturidade, sem conhecer o grande Tonhão. Ou o interior de sua ambulância.

Mas não seja por isso que o Antônio não deixou de ser personagem importantíssimo da minha juventude. Antônio, um pouco desleixado, tinha sempre a barba por fazer, olhos verdes, ou talvez um roxo e outro laranja. Era bem peludo, seus dentes frontais, amarelados- consequência da ingestão excessiva da cafeína por causa da longa jornada de trabalho (para compensar o baixo salário) . Tinha uma grande força física e uma voz grave e carregada, no estilo Tim Maia.

Talvez não seja pela minha braveza que não conheci o Antônio. Até porque, quem me conhece, sabe que de coragem, não tenho muito. Talvez seja pela mesma razão que eu tenho uma foto autografada pelo Renato Russo- “Post Mortem”. E pela mesma razão que ganhei aos oito anos, de souvenir do meu pai, um pedra -meio fosca, meio cristalizada-  um produto original,  trazido diretamente da lua.

O Antônio, os autográfos, os badulaques e diversas outras histórias e personagens fazem parte do valioso baú do vovô. E estão guardados com a mamãe. E vão ser muito bem usados. Principalmente, quando o joelho do  Gabriel ou da Caterina demandarem.

Mas a minha gripe não é séria. Nem precisa chamar o Antônio, eu acho. O “probrema” é juntar as pilhas de Kleenex usados, garganta inflamada, nariz entupido, e dor de cabeça à equação, aí a história fica diferente. E consequentemente, entre as louças na pia, os montes de roupinha suja de papinha de abóbora e batata doce e de meiões de futebol que já foram brancos um dia…..enfim, infelizmente o blog fica meio perdido. Mas, o Chris, mesmo ficando atrasado pro trabalho, levou o Gabriel pra escola hoje de manhã. Caterina descansou um pouco, vida de “little sister” não é fácil. E morar longe do Antônio e do vovô e da vovó é mais difícil ainda. Haja coração!

Aqui vai o “post” que ia atualizar na segunda:

O nosso fim de semana passado começou com uma corrida de bicicleta incluindo obstáculos com bebês e até dinossauros atravessando a rua.

Com a linha de chegada regada à limonada em frente a Estátua da Liberdade.

Idas ao parquinho com o papai.

Hot dogs com a mamãe.

Sorrisos no mêtro.

E perto de casa também.

E terminou com os pézinhos pra cima. Afinal, quem não gostaria de começar a semana assim,  feliz da vida ?!

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1 comentário

Arquivado em 7 meses, big brother, Estátua da Liberdade, little sister

Uma resposta para “Vou chamar o Antônio!

  1. Claudio Versiani

    Querida Isa, bela surpresa esse delicioso texto.
    As fotos também estão para lá de deliciosas.
    Continue esse blog delicioso!
    Vc está escrevendo muito bem. Como diria o Gabs, muito, muito bommmmmm!
    Bjo.
    Ps. O Antonio manda lembranças, ele agora é motorista de ambulância aí em NY.

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